AGRONEGÓCIOS - Demanda elevada pode prejudicar rentabilidade dos produtores
3/12/2009
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Essa “época de desova” pode parecer atraente do ponto de vista dos terminadores de bovinos, ‘a primeira vista. Sobretudo porque, normalmente, em período de entressafra dos grandes Estados produtores, o preço da carne tende a aumentar, mas não é o que acontece nesta época, segundo alguns produtores.
“Isso seria mais interessante se o produtor não estivesse na mão de poucos frigoríficos do Estado. No Paraná, são apenas três empresas grandes, que monopolizam o mercado e que baixam a oferta” denunciou o produtor de nelore Maico Mendes de Araújo, que faz terminação de bovinos em confinamento.
Segundo o produtor Lincoln Campello, isso acontece porque os próprios empresários que possuem frigoríficos também produzem carne e utilizam isso para manter os preços baixos. “Hoje os frigoríficos usam confinamentos estratégicos para figurar o preço da arroba do boi. Eles têm grandes confinamentos e, quando vai faltar carne, colocam esse produto no mercado e , assim, mantêm os preços no patamar em que desejam”, declarou.
O preço da carne, que chegou a mais de R$ 75,00 em média no Estado, caiu, desde novembro, para R$ 71,00, em época que seria de preço melhor para o produtor.
Segundo Araújo, essa situação é recente e os produtores do Paraná já costumavam preparar o rebanho para essa época de maior procura, mas a estratégica não funciona mais. “Se o boi está gordo é preciso vender, e nós já planejamos a venda para essa época. Costumávamos aproveitar a entressafra de outras regiões para exportar a nossa carne. O preço não está proporcional ao consumo. É a falta de competitividade na cadeia frigorífica”. Opinou.
FRIGORÍFICOS
Sob este argumento, Campello afirmou que os frigoríficos de menor porte favorecem mais os produtores, porque agregam mais valor ao produto local. “Aqui na região os bois e novilho precoce são o mercado principal da Cooperaliança (Cooperativa Agroindustrial Aliança de Carnes Nobres Vale do Jordão), que valoriza a questão da qualidade de produção. È um nicho de mercado de boa qualidade, onde há muito controle dos animais a serem abatidos e com isso se tem uma remuneração melhor”.
Fonte: Jornal Diario de Guarapuava